domingo, 19 de junho de 2011

Cris



Cris

A coruja diz que lá  fora do nosso jardim começa o tempo , e isso é um poço assim fundo pra caramba, e quando uma pessoa cai nele vai sumindo e sumindo lá pra baixo, até que ninguém sabe o que acontece com ela depois. Fiquei um pouco preocupado com o Cris, se não tinha caído lá dentro, mas ele voltou e aí eu perguntei sobre o tal poço. "Puff - ele disse - eu estava dentro dele e fui caindo, e caindo eu ia mudando, minhas pernas foram ficando compridas, fiquei grande, usava umas calças que iam até o chão e me cresceu barba, depois meus cabelos foram ficando brancos, fui me encurvando, andei de bengala, e aí eu morri."

sábado, 11 de junho de 2011

Festa Junina




Festa junina

Musicas felizes, crianças correndo,danças,cachorro quente, canjica, refrigerante e pipoca. Muitas pessoas na pescaria, as meninas com seus vestidos rodados e os meninos com suas camisas xadrezes e bandeirinhas coloridas. E claro, o casamento na roça e a diretora jogando bingo com as crianças. 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mania de Explicação



Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança  pra acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo.

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

A bolsa amarela





O Galo
- Mas como é que você entrou aqui? Você voou?
- Vim de elevador.
- Sozinho?
- Não, tinha mais gente.
- E ninguém viu que você era um galo fugido?
- Eu tava de máscara.
- Ah é! Então boa noite.
- Dorme bem.

domingo, 5 de junho de 2011

Píppi Meialonga



Píppi vai à escola

Eu me chamo Pippilota  Comilança Veneziana Bala-de-Goma Filhefraim Meialonga, filha do Capitão Efraim Meialonga, antigo Terror dos Mares e hoje rei dos canibais. Píppi é meu apelido, pois meu pai achava que Pippilota era um nome muito comprido.

sábado, 4 de junho de 2011

A bolsa amarela





As vontades


- Ora, Raquel, a tia Brunilda só manda roupa de gente grande, não serve pra você.
- É só cortar, diminuir.
- Não adianta: mesmo diminuindo tudo continua com cara de roupa de gente grande.
- Roupa não tem cara.
- Tem sim senhora.
E nunca fiquei com nada. Num instantinho sumiam com tudo, e usavam, usavam,
usavam, até pifar. Aí, no dia que a roupa pifava, a gente ajeitava daqui e dali, e
a roupa ficava pra mim. Eu não dizia nada. Até que uma vez não resisti e perguntei:
- Quer dizer que quando a roupa pifa, pifa também a tal cara de roupa de gente grande?