As vontades
- Ora, Raquel, a tia Brunilda só manda roupa de gente grande, não serve pra você.
- É só cortar, diminuir.
- Não adianta: mesmo diminuindo tudo continua com cara de roupa de gente grande.
- Roupa não tem cara.
- Tem sim senhora.
E nunca fiquei com nada. Num instantinho sumiam com tudo, e usavam, usavam,
usavam, até pifar. Aí, no dia que a roupa pifava, a gente ajeitava daqui e dali, e
a roupa ficava pra mim. Eu não dizia nada. Até que uma vez não resisti e perguntei:
- Quer dizer que quando a roupa pifa, pifa também a tal cara de roupa de gente grande?